Com apenas duas cadeiras em jogo e uma fila de “pesos-pesados”, o governador Jerônimo Rodrigues enfrenta o desafio de manter a unidade sem implodir a base aliada.
Análise por Portal do Guaiamum 04/04/2026 10h45
Se a definição da vice-governadoria com Geraldo Jr. (MDB) foi um “parto a fórceps”, a disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa majoritária de Jerônimo Rodrigues (PT) promete ser um jogo de xadrez onde qualquer movimento em falso pode entregar peças valiosas para a oposição.
O problema é matemático: são duas vagas para pelo menos quatro nomes de envergadura nacional. Abaixo, dissecamos as peças deste tabuleiro:
1. A Peça Inamovível: Jaques Wagner (PT)

O “Galego” é o fiel da balança. Atual senador e estrategista-mor do PT na Bahia, Wagner é tido como candidato natural à reeleição. Sua presença na chapa é a garantia de interlocução direta com o Palácio do Planalto e a manutenção da hegemônia petista. Tirar Wagner do páreo é impensável para o PT, o que, na prática, deixa apenas uma vaga real em disputa para todos os outros aliados.
2. O Trunfo de Brasília: Rui Costa (PT)

O ministro da Casa Civil nunca escondeu seu desejo de retornar ao Legislativo Federal via Senado. Rui tem a máquina federal na mão e um legado de obras na Bahia que o tornam um competidor fortíssimo. No entanto, sua entrada cria o cenário do “puro-sangue” (duas vagas de Senador para o PT), o que isolaria completamente os partidos da base, como PSD, MDB e Avante. O dilema de Jerônimo é: como dizer “não” ao seu antecessor sem criar um racha no núcleo duro do governo?
3. O “Dono da Bancada”: Otto Alencar (PSD)

Otto Alencar é, talvez, o aliado mais leal e numericamente importante de Jerônimo. Com a maior bancada de prefeitos do estado, o PSD não aceitará ser figurante em 2026. Se Otto (ou um indicado do PSD, como o deputado Ângelo Coronel, que também busca reeleição) for rifado da chapa majoritária, o risco de uma “debandada silenciosa” para o campo de ACM Neto é real. Otto joga com a fidelidade, mas cobra o preço em espaço político.
4. O Fator de Equilíbrio: A Pressão por Renovação ou Gênero

Corre por fora a tese de que a chapa precisaria de uma face feminina para dialogar com o eleitorado moderno, citando nomes como a deputada Ivana Bastos (PSD). No entanto, no pragmatismo de Ondina, nomes técnicos ou de renovação costumam perder espaço para os “generais” da política baiana.
O Cenário de Conflito: O “Funil de 2026”
O grande perigo para Jerônimo não é a oposição externa, mas a implosão interna. Veja os riscos:
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Chapa PT+PT (Wagner e Rui): Garante o controle total ao PT, mas empurra Otto Alencar e o MDB para os braços da oposição ou para uma candidatura independente que dividiria votos.
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Chapa PT+PSD (Wagner e Otto): É a fórmula da estabilidade, mas deixa Rui Costa sem foro e sem palanque garantido, o que pode gerar ruídos na relação Bahia-Brasília.
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O “Sacrifício”: Alguém terá que ceder. A saída para Rui Costa poderia ser a manutenção em um ministério forte em um eventual segundo mandato de Lula, mas na política, “vaga no Senado é título de propriedade”, e ninguém abre mão facilmente de oito anos de mandato.
O Xeque-Mate de Jerônimo
O governador terá que demonstrar uma habilidade política superior à de seus mestres. Ele precisa de Wagner pela história, de Rui pela força e de Otto pela estrutura. Como a conta não fecha, o “Xadrez do Senado” será decidido no detalhe, provavelmente nos 45 minutos do segundo tempo, onde as promessas de cargos futuros e composições municipais servirão de consolo para quem ficar de fora da foto oficial.
A pergunta que ecoa nos corredores da Assembleia Legislativa (ALBA) é: Quem aceitará descer do salto para salvar a união do grupo?
